No passado dia 13 de março iniciou-se o ciclo de Conversas
no Museu sobre o tema "Alimentação Saudável" realizado no
âmbito de uma parceria estabelecida entre a APEECE/EB2RSD e a Câmara Municipal
de Resende.
Na presença da vereadora do pelouro da educação,
prof.ª Dulce Pereira, da presidente da APEECE/EB2RSD, prof.ª Sandra Pinto, de técnicos da Câmara
Municipal de Resende, de pais e encarregados de educação, do diretor do AER e
da comunidade em geral, a nutricionista, Dr.ª Raquel Magalhães, convidada para
dinamizar esta sessão, informou os presentes sobre as principais questões
relacionadas com a temática da mesma, durante duas horas que pareceram breves
minutos.
Nesta sessão agradável, os presentes foram informados e alertados para a
importância dos primeiros hábitos alimentares na medida em que se consideram
como determinantes na futura alimentação das crianças. A Dr.ª Raquel salientou,
inclusivamente, a alimentação da mãe durante a gravidez como o início deste
processo. Assim, desde de tenra idade que às nossas crianças devem ser
incutidos hábitos saudáveis, os quais não devem ser apenas transmitidos mas
vividos com eles, isto é, os pais devem ser um exemplo, pelo que os bons
hábitos alimentares devem constituir uma prática familiar.
Entendendo-se alimentação saudável como aquela que fornece,
equilibradamente, todos os nutrientes necessários para o bom funcionamento do
organismo, destacou que será melhor prevenir do que combater os efeitos
decorrentes de uma má alimentação, como por exemplo: obesidade; desnutrição;
diabetes; cancro; doenças cardiovasculares.
Neste contexto foi feita uma abordagem a cada uma das doenças elencadas,
sobressaindo o aparecimento de um novo conceito de desnutrição, o qual está associado
à compra de produtos alimentares supostos mais baratos, como refrigerantes e
batatas fritas que "enganam a fome" e não cedem os nutrientes
necessários. Continua a verificar-se uma tendência incompreensível para a
compra de refrigerantes, quando a água devia ser a bebida de eleição.
Realçou que a alimentação escolar sofreu uma grande e positiva evolução aos
diferentes níveis e que, por vezes, as crianças só têm acesso a uma devida
alimentação no espaço escola.
Relativamente à diabetes e à hipertensão, mencionou que algumas crianças com
apenas três anos já apresentam elevados níveis de colesterol, fruto de uma
alimentação inadequada. Esclareceu sobre a diferença entre os dois tipos de
diabetes: diabetes de tipo I e diabetes do tipo II, constituindo o segundo mais
um exemplo das consequências de uma indevida alimentação. Desta forma, há que
prevenir! É mais eficaz a prevenção do que o combate, pelos que os pais e os
professores, enquanto modelos, devem constituir um exemplo.
A obesidade, considerada como a epidemia do século XXI, pode ser entendida como
um doença crónica, multi-fatorial, que se define pelo excesso de gordura
corporal acumulada. Esta tem sofrido um crescimento exponencial preocupante
dados os padrões alimentares adotados pela nossa sociedade. A obesidade poderá
estar associada a fatores endócrinos; genéticos; falta de exercício; distúrbios
psicológicos; sedentarismo (Portugal é o país mais sedentário da Europa!) e
maus hábitos alimentares como por exemplo: não tomar pequeno almoço, não lanchar;
consumir excesso de calorias e poucos alimentos saudáveis. Foram enumeradas
algumas situações potenciadoras de obesidade: jogar jogos de computador, ver
televisão durante horas; apoio insuficiente e falta de orientação dos adultos e
falta de locais seguros e atrativos onde as crianças consigam aumentar a sua
atividade.
A Dr.ª Raquel Magalhães apresentou algumas propostas relativas à alimentação.
Aconselhou a que a mesma tenha texturas suaves e cor, devendo ser atrativa. Os
legumes devem fazer parte de todas as refeições, devendo a refeição dos pais
ser igual às dos filhos. Deve verificar-se regularidade nos horários das
refeições, devendo estas realizar-se num ambiente calmo, sem a presença da
televisão. Não se deve "forçar" a criança a comer a totalidade da
refeição nem premiá-la com doces pelo bom comportamento. Nos pratos das
crianças devem ser colocadas pequenas porções e permitir a repetição se a
criança o desejar. Alertou que as refeições são atos sociais e como tal devem
também constituir momentos de confraternização. Sugeriu que a criança fosse
envolvida na decisão, preparação e confeção da refeição. Referiu que se deve
evitar ter em casa alimentos não saudáveis, não devendo proibir as crianças de
os consumir mas apenas de restringir o seu consumo. Salientou a importância do
pequeno-almoço e do consumo da sopa antes do primeiro prato, considerando-a
como essencial numa alimentação saudável.
A família deve promover hábitos alimentares saudáveis, devendo guiar-se pela
Roda dos Alimentos.
Por último, um agradecimento público à Dr.ª Raquel
Magalhães pela forma como recebeu o convite da APEECE/EB2RSD e dinamizou a sessão
"Alimentação Saudável".
Relembramos que a próxima sessão será no dia 10 de abril sobre
Acompanhamento ao Estudo.